30.10.14

Why



Why should I know why should I care?
Who's telling me what I should wear?
Mother your wretched son is hooked on his medicine
I don't care anymore
I'm sick and I'm tired
And I don't care anymore
This one's from the hip
Why should I know why
It's a wicked world

29.10.14

A minha noiva

É como a história contada por Lacan: «a minha noiva nunca chega atrasada a um encontro, porque se chegar atrasada a um encontro deixa de ser minha noiva».

28.10.14

Rei dos belgas

27.10.14

O mais diferente

«De todos, quem está mais diferente és tu», diz-me ela, evocando os nossos colegas. Fala de um miúdo «magrinho e doce» que eu obviamente já não sou. Diz que me acha «duro» (muito desiludido, bastante esquivo, um pouco cínico). Enquanto contamos o que nos aconteceu desde os tempos do colégio, é visível a sua decepção comigo, com aquilo em que eu me tornei, reage ao que eu confesso com uma censura benigna, geralmente não-dita, mas visível na boca e nos olhos, como se estivéssemos a ficar demasiado distantes para nos podermos sequer entender, como se eu tivesse traído qualquer coisa de bom que teve a nossa infância e adolescência, como se eu tivesse desistido de vez, de ideias, de pessoas, até do meu antigo «eu», e tivesse enfim abdicado, facto que a entristece, que ela lamenta, que a faz de certo modo desistir de mim. Conhecemo-nos há mais de trinta anos, e caminhamos até ao automóvel dela embaraçados, como uns perfeitos desconhecidos.

26.10.14

Go to Hell with Superman

Herzog sobre o pénis

Lembrou-se da velha história sobre o ator shakesperiano no bordel. Quando tirou as calças, a puta, já na cama, assobiou. E ele disse: «Senhora, viemos para enterrar César e não para o elogiar.»

Herzog sobre a religião

Para os religiosos, o amor ao sofrimento é uma forma de gratidão para com a experiência ou uma oportunidade de experimentar o mal e de o transformar em bem. 

Herzog sobre a burguesia

Mas, para dizer a verdade, toda a minha vida tenho tentado ser uma pessoa bastante medíocre. Fiz o meu trabalho, procurei atingir os meus objectivos, cumprindo as minhas obrigações e esperei pelo velho quid pro quo. Aquilo que recebi, como é natural, foi um valente murro na cabeça. Acreditava que tinha estabelecido um acordo secreto com a vida para me livrar do pior. Uma ideia perfeitamente burguesa. 

Herzog sobre o medo

Não partilhava a ideia de Hobbes de que onde não há um poder intimidante, os homens não retiram prazer (voluptas) na companhia mas apenas um grande pesar (molestia). Há sempre um poder que intimida, isto é, o medo que cada um sente. 

24.10.14

Herzog explica




















[Herzog (1964), de Saul Bellow, tradução de Salvato Telles de Menezes,  Quetzal]